sábado, 28 de maio de 2011

Winter


Estou aqui, sentada em frente ao computador, é sábado e faz muito frio, estou escutando MercyMe e sentindo o cheiro da comida que minha mãe está preparando. Por um breve momento me sinto como quando criança, a diferença é que em vez de um copo de leite com nescau eu seguro uma xícara de café. Ao invés de bonecas de pano e ursinhos de pelúcia espalhados pelo quarto, há pilhas de livros, alguns porta retratos e bonecas de porcelana. Não estou discutindo com minha irmã por ela ter estragado algum brinquedo meu, até porque ela está se preparando para ir trabalhar. Não estou sentindo medo por ter que tocar em meu primeiro recital de piano, mas outros medos ainda invadem meus pensamentos. Medo de ter que deixar meu quarto e ver que tudo lá fora está diferente. Medo por sabe o que deve ser feito e que fazê-lo possa me levar para longe de pessoas que amo. Medo de ver que meus amigos mudaram, não para pior ou melhor, mas simplesmente não são mais os mesmos. Medo de fazer novos amigos e depois ver esses partiram também.

Saudades de momentos e de pessoas. Saudades das brincadeiras na casa da árvore, ou dos aniversários das bonecas. Saudades de jogar volei com latinhas de coca-cola e de andar de patins na garagem do apartamento. Saudade brincar com amigas e criar um mundo imaginário embaixo da cama ou embaixo da mesa de jantar. Saudade de ir passar o dia na casa da minha vó, ajudando-a a colher bergamotas ou aprendendo a fazer massa caseira. Saudades dos amigos que fizeram esses momentos se tornarem recordações.

A xícara de café está terminando e algo me diz que preciso voltar à realidade, preciso enfrentar os medos e o dia frio lá fora, mas sei que daqui há alguns anos estarei sentindo falta desse dia, do meu quarto como ele está agora, do cheiro da comida que minha mãe está fazendo e estarei com medo do que me espera no dia de amanhã (talvez com saudades dos meus medos de hoje e feliz por tê-los enfrentado).

O medo. Sim, ele faz parte da vida. Ele está ali, esperando para ser enfrentado. Mas eu não preciso enfrentá-lo sozinha. Não preciso ficar trancada em meu quarto enquanto o inverno toma conta do mundo lá fora. Eu tenho um Deus que me traz paz no meio de qualquer situação. Um Deus que me permite passar pelo inverno para que eu compreenda a beleza da primavera e a alegria do verão. E enquanto tudo muda ao meu redor, as pessoas, as circunstâncias, Ele permanece o mesmo, ontem, hoje e sempre.

A saudade. Como não senti-la? impossível. Mas só sentimos saudades dos momentos felizes e se sinto falta da minha infância ou adolescência é porque sei que fui muito feliz. E tenho certeza que daqui a algum tempo sentirei saudade do hoje porque Deus me faz feliz no presente. E as pessoas que não vejo mais? Ah! É por isso que vou me esforçar para amar mais a Deus cada dia de minha vida, porque para onde estou indo nunca mais haverá saudades. As pessoas que mais amo estarão lá e estaremos em casa para sempre. E como eu quero estar em casa!

Minhas saudades e meus medos momentâneos não se comparam com a alegria de um dia ir para casa. E o meu hoje, vou vivê-lo da melhor maneira possível para que ele se torne uma boa recordação e para que quando mais perto do lar eu estiver, mais eu sinta a mão de Cristo me guiando em direção à Terra do Sempre.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Perder-se para achar-se

Acho que já contei para algumas pessoas o que aconteceu comigo na semana passada, mas hoje estava relembrando e pensando em como Deus tem sido cuidadoso comigo. Estou morando em Porto Alegre durante a semana e ainda não conheço muito bem todas as coisas por lá. E esses dias voltando para casa de noite meu ônibus estava demorando demais e resolvi tentar um ônibus diferente (sim, isso foi BEM inteligente da minha parte, principalmente porque já eram 20h30). Mas, o motorista me disse que passava em frente do lugar em que estou morando e eu peguei o ônibus. Não levou muito tempo pra eu perceber que não estava indo pra casa... o motorista me disse que, na verdade, era o ônibus que ia na outra direção que ia pra onde eu queria (ahhhhhh!). Uma mulher me explicou onde devia descer e pegar o ônibus pra voltar e entre, vire a direita, esquerda, dobre no posto e tal, eu desci do ônibus, a essa altura já em pânico (9h00). Ok, mas graças a Deus por Ele ser meu Deus, porque eu realmente estava nervosa enquanto ia para a outra parada com tudo muito escuro e ainda um senhor idoso passando por mim e dizendo "você não devia estar sozinha aí menina, está bem perigoso, coloque sua bolsa para frente..."(sempre tem alguém para te dizer palavras agradáveis nessas horas!). Mas, qual foi a minha surpresa quando cheguei na parada e encontrei o porteiro do condomínio onde moro em POA. E há quem acredite em coincidências, mas ele ficou esperando comigo ali. (obs, e nada do ônibus vir)... Depois passou um carro com conhecidos dele que me ofereceram carona e me deixaram na porta de casa... Não é incrível? Eu super nervosa e Deus cuidando de tudo :) inclusive me ensinando a não ser tão nervosa... Hoje estava no culto de oração da Igreja e lemos essa passagem:
"Mas a salvação dos justos vem do SENHOR; ele é a sua fortaleza no tempo da angústia. E o SENHOR os ajudará e os livrará; ele os livrará dos ímpios e os salvará, porquanto confiam nele."
É maravilhoso ver como Deus tem cuidado de mim a cada momento, uma coisa fora do lugar poderia causar a maior bagunça na minha vida, mas Ele tem guiado meus passos. É estranho que as vezes só me dou conta dessas coisas quando algo realmente sai fora do lugar (ou quando o ônibus sai fora de rota =]). Mas graças Deus que permanece sempre Fiel e que nunca esquece de mim...