Você, provavelmente, assim como eu, já leu essa história muitas e muitas vezes em sua Bíblia. Conseguimos imaginar a tempestade açoitando o pequeno barquinho na alta madrugada. Podemos escutar os raios, os ventos e enxergar as ondas invadindo o barco e molhando os discípulos. Mas, mesmo tendo essa assustadora imagem da natureza em minha mente, a experiência de Pedro foi o que sempre invadiu minha mente. Eu pensava naquele discípulo impulsivo que ousou sair do barco e afundou... no fundo eu estava balançando minha cabeça e murmurando "viu... ninguém mandou sair do barco...". Aliás, qual o propósito de fazer algo tão arriscado?
Hoje vejo essa história por um prisma completamente diferente. Censurar Pedro, na verdade, apenas aponta para a falta de coragem em meu coração. Eu não teria deixado aquele barco, então é muito mais fácil olhar o "fracasso" do outro e, assim, justificar minha inércia. "Olha lá o Pedro, resolveu sair do barco e agora está afundando... por isso que eu não saí, eu sabia que isso ia acontecer!" O fato é, que nunca sabemos o que irá acontecer. Esse é o motivo de não deixarmos nosso barco e talvez seja o significado da conhecida expressão "andando sobre as águas". Nós não sabemos o que virá quando sairmos de nossa zona de conforto, mas nosso Deus está lá, fora do barquinho. Confiaremos nele? Quero encorajá-lo nessa postagem, a sair de seu barquinho, seja ele o que for... para isso, vamos olhar mais de perto para Pedro e sua experiência.
As maiores experiências de fé são vividas em meio a tempestade. Quando eu era criança, me lembro de meus tios tentando me ensinar a boiar na água do mar. Eu morria de medo que eles me soltassem, mas afinal, o dia estava ensolarado, não tinha ondas grandes e eu usava boias nos braços, valia a pena tentar (afinal... o maior perigo que eu corria era beber um pouco de água salgada). Todos nós sabemos que essa experiência não exigia muita fé de minha parte, eu estava bem segura. Mas, quando trazemos isso pra vida espiritual, ao enfrentar um teste de fé, esperamos que haja sol, que não tenham ventos nem ondas e que Deus coloque boias em nossos braços (e de preferência, que tenha um salva vidas à vista, claro). Queremos ter certeza de que tudo estará bem seguro e então podemos enfrentar uma nova experiência. Mas, não é assim que Deus vai provar nossa fé. Ele quer que confiemos nEle quando tudo o mais se for. Ele vai nos chamar em meio a tempestade.
Deus requer obediência, não suicídio. Eu não quero que você entenda que estou dizendo pra você se jogar de um precipício e esperar que as Grandes Águias da Terra Média venham te socorrer. Isso tem a ver com chamado, não com suicídio. Quando Pedro ouviu a voz de Jesus, Ele pediu permissão, "Se és Tu, Senhor, manda-me". Pedro não se lançou ao mar sem antes ter certeza de que essa era a vontade de Cristo. Ele esperou a ordem de Jesus "Vem!". Muitas vezes tomamos decisões precipitadas e chamamos isso de andar pela fé. Não é. Andar pela fé é obedecer ao chamado de Deus, mesmo sem saber o que nos aguarda. Mas temos que ter a convicção de que Ele nos tem chamado. Se você não tiver certeza, é melhor não sair do barco. Em Hebreus 11:8 lemos "Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu [...] e partiu sem saber aonde ia". Abraão andou pela fé obedecendo a uma ordem de Deus. Ele não sabia para onde Deus o levaria (por isso é dito que andou pela fé), mas ele tinha clareza de que essa era a vontade do Pai.
Os riscos são grandes, mas você pode andar sobre as águas. Como mencionei antes, eu costumava focar no fracasso de Pedro. Mas, hoje vejo de forma diferente. Pedro foi o único dos discípulos que teve a coragem de pedir algo ousado a Cristo. Ele sabia que Jesus era o Todo Poderoso. Ele confiava no seu mestre. Não podia perder essa oportunidade, talvez ele recebesse um "não", mas ia tentar. Ele queria ter o privilégio de participar dessa aventura. E o texto nos diz que Pedro realmente andou sobre as águas! Nenhum dos outros discípulos vivenciou algo parecido. Eu imagino que Pedro levou essa experiência pro resto de sua vida. Ele vivenciou o poder de Cristo em meio à tempestade, e viu as águas tornarem-se firmes abaixo de seus pés.
Quando você temer, Cristo estará lá. Na verdade, essa história não é sobre Pedro. Essa história é sobre Cristo e sua graça. Cristo chamou a Pedro e estava ao seu lado quando ele começou a afundar. Cristo estendeu sua mão a Pedro e o resgatou. Pedro teve medo ao reparar na força do vento mas, sabe de uma coisa? Pedro provou que o amor de Cristo excedia todos os seus medos. Cada vez que formos chamados a um teste de fé, nossos medos nos acompanharão. E muitas vezes iremos estar a ponto de afundar porque a tempestade parecerá grande demais para nós. E então clamaremos a Cristo que nos salve e veremos de perto que Cristo não nos abandona! Aquele que nos chamou é fiel. Ele conhece nossas fraquezas. Sabe que somos pó. E mesmo assim, nos ama. Ele deu sua vida por nós, não nos deixará naufragar.
Deus lhe deu uma vida para que você a viva de acordo com sua vontade. Ele vai lhe chamar a andar sobre as águas, não porque é um tirano que gosta de ver seus servos em apuros, mas porque é um Pai que o ama tanto a ponto de querer que você cresça em confiança nEle e prove de sua graça. Sabe, é muito mais fácil ficarmos no barco. Aos poucos colocamos grades mais altas, bancos mais confortáveis e equipamentos eletrônicos que garantam uma estadia tranquila em nosso barquinho da vida. Quanto mais você ficar no barco, mais difícil será de sair dele. Se Jesus estiver lhe chamando a fazer algo, saia de seu barco. Obedeça sua voz. Como diz uma antiga canção "Cada vez que a minha fé é provada, Deus me dá a chance de crescer um pouco mais". E se os medos te cercarem, lembre-se, as mãos que foram estendidas na cruz por você, continuam estendidas para te socorrer.
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"O pior fracasso não é afundar nas águas. O pior fracasso é nunca sair do barco." John Ortberg |
