domingo, 23 de outubro de 2011

Sentindo intensamente

Esse semana li um texto que gostei bastante e me fez pensar durante toda a semana sobre o que é sentir intensamente todas as coisas. O autor é um homem que passou 12 anos na prisão por pregar o Evangelho e, o mais impressionante, ele escreveu esse texto durante os anos em que estava na prisão, separado de sua mulher que criava seus 5 filhos sozinha do lado de fora das grades. 
O que li foi:

"Se há algum tempo, Deus tivesse me dito que me tornaria tão feliz quanto eu poderia ser nesse mundo e também tivesse me dito que começaria por mutilar todos os membros do meu corpo e privar-me de todas as minhas fontes habituais de prazer, provavelmente eu teria considerado essa uma maneira estranha de Ele realizar o seu propósito. Mas, como a sua sabedoria se manifesta até nisto! Pois, se você visse um homem fechado em um quarto, idolatrando um conjunto de lampiões e se regozijando na luz deles, e desejasse fazê-lo verdadeiramente feliz, você começaria a apagar todas as luzes; e depois abriria a janela, pra que entrasse a luz do céu." Samuel Rutherford

Extremamente estranho. Caramba, o homem estava preso injustamente, sozinho, longe de sua família... como ele pode escrever o texto acima? Li, reli e li novamente, será possível que ele realmente se sentia feliz naquela situação? Eu fico pensando nele quando adolescente pedindo a Deus que tivesse uma vida alegre e completa, até que começou bem, casou, teve 5 filhos e..... foi parar na prisão. Parece uma história um pouquinho trágica, mas encontro beleza nela quando leio o texto acima. Sim, é possível ser alegre em meio ao sofrimento. Aliás, é possível encontrar a verdadeira felicidade independente das circunstâncias. 
Pare um pouco e pense na sua vida. Em que momentos você sentiu intensamente? Todos buscamos viver e sentir como se o dia de hoje fosse o último, mas não são todos os momentos que trazem essa profundidade, aliás, muitos de nossos momentos são superficiais. Eu lembro de alguns em que vivi intensamente e todos tiveram algo em comum.
01.2008 - 09.2008. Alguns meses que me marcaram. Fui morar durante esses meses na Áustria, no meio dos Alpes, em um pequeno vilarejo. Era a realização de um grande sonho, mas eu não estava preparada para todas as implicações da viajem. O lugar era lindo, frio e solitário. Logo descobri que a barreira linguistica é terrível e que a distância de amigos e família é pior ainda. Senti intensamente. Saudade. Essa palavra nunca tinha tido um significado tão profundo para mim. Mas também descobri o verdadeiro relacionamento com Deus. Descobri que era Ele quem estava presente quando tudo o mais desaparecia no horizonte e descobri a intensidade de sua companhia naquele ambiente de solidão. 
2008-2010. Descobrimos que minha vó tinha câncer. Ela lutou por 2 anos contra essa doença cruel e não resistiu. Hoje eu sei o que é amar de verdade, eu amei minha vó com todas as minhas forças e sei disso porque ao dizer adeus pra ela no leito do hospital eu sabia que ninguém ocuparia seu lugar em meu coração.  Se sinto saudades? sim! demais. Se estou triste? não, sei que verei ela novamente um dia, que alegria! Você só percebe o quanto ama as pessoas que estão perto de você quando precisa dizer adeus, mas graças a Deus alguns adeus são só um "Até Breve"
O que essas situações tem em comum? Vivi e senti intensamente através do sofrimento. Encontrei a paz em meio às dificuldades e sei que isso é possível. Posso dizer isso pois agora olho pra trás e enxergo todas as coisas com outros olhos, mas ainda tenho dificuldades para entender algumas coisas do presente. Faço minha a oração de John Piper: "Oh! como eu suplico que, ao começar Deus, em sua misericórdia, a apagar os meus lampiões, eu não amaldiçoe o vento!"

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